domingo, 24 de outubro de 2010

As reticências do “fim” [...]




...a história mais louca, apesar de todas as minhas loucuras nunca aconteceu nada parecido. Acreditei em tudo como se tivesse acreditado no que sonhava durante meus sonos. Mas claro, foi e está sendo tão quimérico, e por isso tão perfeito, que não dá pra acreditar. É como se um dia eu fosse tentar pegar com minhas mãos, mas sentisse o vão do espaço vazio. Talvez sejamos uma mentira tão bem contada, que a meus olhos se torna verdade, uma verdade tão plausível e ao mesmo tempo tão incomum que me excita, não só sexualmente, isso se torna muito pequeno visto de longe, mas me excita especialmente “roteiramente”. Acreditei e nadei em seu mar, sem me importar onde eu iria parar, ou como eu poderia voltar, ou se eu realmente queria voltar.  Por isso tudo, agora, me sinto como se estivéssemos numa máquina de contagem regressiva... depois de, talvez, ter acordado desse sonho. E tudo que aconteceu vai ficar nesse tempo, congelado, intacto, perfeito, como num livro de romance, mas que o autor morreu antes de poder terminá-lo, e que ao mesmo tempo é tão bonito que não há espaço pra lágrimas desgostosas. Por que não teve um desfecho feliz. Nem triste. Simplesmente o romance não teve fim. [...]


...quem sabe um dia te reencontrar. "Um dia cor de laranja."


"[...] Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir." [AMARANTE]

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O começo do quase fim...

Nessa minha primeira postagem eu tenho a desonra de falar dos poucos dias que me restam na academia. Há alguns dias eu poderia ter dito honra, ou alegria, porque queria acabar logo com isso. Mas hoje digo desonra porque, apesar dos pesares, este foi um episódio da minha vida que me fez crescer muito, tanto como artista, quanto como ser deste mundo.  Digo “apesar dos pesares” porque foi uma fórmula rápida de aprender que, como tantas outras não deixou de ser dolorida, e posso dizer que no meu caso, um tanto quanto cruel.
Aprendi que não é só pisar no palco, ou enlouquecer nos exercícios, ensaiar a cena, delirar com a platéia, esse prazer deve ser concedido após muito estudo. Sim, foi preciso ler, aprender a criticar, escrever, fazer seminários, etc. Não que tudo isso tenha sido ruim, mas eu aprendi da pior forma da qual se pode aprender, levando porrada atrás de porrada, fato que também foi preciso aceitar, levar a porrada. Senão não havia sequer chegado no 2º ano.
Por falar em seminários, eu adorava apresentá-los na escola, posso dizer que essa foi a primeira “porrada” que levei assim que ingressei na academia. Num dos primeiros seminários que tive que apresentar, eu não entendia o texto da apresentaçãp! Mas apresentei, foi a pior de todas, eu sentada numa cadeira tentando explica algo que nem eu havia entendido, pra um monte de “gente grande” me olhando com aquela cara de “o que essa menina tá fazendo aqui?”, resultado: o professor dormiu junto com alguns da turma, minha voz tremia, me senti o cocô do cavalo do ladrão e até hoje não consigo apresentar um seminário sem me sentir uma merda, ou seja, to cagando de medo da defesa de TCC! rs. Essa foi uma coisa que aprendi também, o ser humano necessita ser melhor que o outro, e pra isso ele faz o outro se sentir menor, não basta superar suas próprias dificuldades. Senti tudo isso só no olhar de quem me assistia.
Além de seminários, na escola eu adorava fazer redação, aliás eu era uma das melhores da sala, até na prova de vestibular e ENEM tirei boas notas. Mas meu bem não se iluda, a faculdade vai fuder com tudo isso, aliás a faculdade é uma “fudeção” de tudo que você aprendeu ou acreditou até hoje, se você vai entrar agora, se prepare, se já entrou vai concordar comigo. Resultado: minhas resenhas eram as piores, lia dez vezes um texto pra entender três linhas e mal conseguia fazer os trabalhos sozinha. É nesse momento do post, que abro parênteses pra agradecer do fundo da minha alma quem me ajudou nessa fase, e as duas pessoas, apesar de hoje estarem afastadas, sabem que são.
Agora a melhor parte, na minha opinião, como uma “quase atriz” eram as aulas práticas. Que tesão eram aquelas aulas! Esperando pela melhor hora, a da APRESENTAÇÃO, dessa eu não tinha medo, aliás era o momento que eu mais esperava, O DIA DO ESPETÁCULO! Que emoção, é o dia da apresentação, dá um nervoso, uma alegria, sei lá se tudo aquilo tinham nomes! Mas meu colega, você acha que eu me fudi nas teorias e na prática não seria diferente? Hahaha... Apresentamos uma cena de comédia. Comédia? Ei platéia cadê os risos? As gargalhadas? Cadê o calor da recepção? Sim meu caro colega, aqueles risos que você escutava no seu “teatrinho amador” não vão mais ser escutados numa universidade, numa academia. Porque eles querem técnica, técnica! Eles estão sentados naquelas cadeiras pra te analisar, e não pra assistir seu espetáculo, podem até gostar, mas vão fazer cara feia, bocejar, levantar a sobrancelha, porque você não conseguiu ter “fé cênica” naquela hora!
LETÍCIA LEMES SANTIAGO SEJA BEM VINDA A UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS!!!!!! Obrigada, ¬¬’!
Mas esse foi apenas o “BEM VINDO” de uma longa história “rodriguiana”, rs. Título dado ao nome da turma pelo meu querido amigo Sanquetta. É, minha turma teve um longo caso de Nelson Rodrigues, título que coube bem aos nossos olhos, e não tenho dúvidas sobre isso, mas que pra quem viu de fora estava mais pra Sussuna ou Veríssimo com seu Comédias Da Vida Privada. Uma turma que unida faria, talvez o melhor espetáculo que aquela universidade já viu, mas que quando algum professor tentava “unir” era só o quebra-pau! Nessas horas eu observava que aquelas “gentes grandes” que no 1º ano me metia medo, e que agora não passavam de crianças egoístas, brigonas, egocêntricas e fofoqueiras, não me entendam mal, não tiro o meu da reta, eu também fiz parte disso durante muito tempo, e é uma das poucas coisas que me arrependo na vida.
Fiz parte disso, tomei lados, me fudi, parei de tomar lados e me fudi do mesmo jeito. Porque no fundo vi que mesmo sendo “amiga” de todos, e tendo sofrido talvez mais que aqueles que instituíram os lados (quem sabe por que “fiz parte” de ambos os lados), na hora de fazer escolhas juntos, os lados reinavam mais uma vez, e adivinha quem se fudia novamente? Essa vou deixar vocês concluírem.
Normal. Isso aconteceu na minha vida escolar também, nunca tive formatura, no 3º ano até vendi balinha, pra fazer a formatura da turma, rs. Resultado: ninguém me deu um simples aperto de mão, ou um “obrigado”. Não que eu tenha feito tudo esperando a “gratidão” de todos, mas na festa, na hora dos meninos darem uma rosa para as meninas da turma, não ganhei sequer uma rosa, e meninas que não moveram um dedo pra aquela formatura estar de pé, ganharam até três rosas. Sim isso foi um desabafo, aliás, esse post inteiro é um desabafo.
Por isso, talvez, queria fazer alguma função na minha colação de grau, não pelo título de quem sabe a “oradora da turma”, mas porque ninguém mais que eu conhece os dois lados da moeda, achei que eu merecia essa chance, não que quem ganhou não mereça também, mas os meus eram outros motivos. Não fiquei chateada por ninguém ter votado em mim na reunião, fiquei chateada por não ter a oportunidade de falar sobre a turma que mais carreguei no colo por tanto tempo, e por saber que mesmo depois de tanto tempo os lados vão existir, até, quem sabe, daqui a dez ou mil anos.
Mas não tem problema o blog existe pra isso, e estou feliz por essa oportunidade, por isso dediquei minha primeira postagem pra esse desabafo e alegria de falar da turma que mais odiei e amei na minha vida! Essa é a minha mais sincera dedicatória, como vocês perceberam não tiveram “rasgações” de seda, apenas a fala do que senti durante esses quatro anos. Não me importa se todos vão gostar ou não, nem é essa minha pretensão, só quis levar meus poros às palavras. E nem quero que nossas relações mudem por causa disso, e se mudar, não tenho dúvidas, a relação nunca existiu.
Na faculdade aprendi que agente pode amar uma pessoa com apenas uma semana de convivência, e que pode odiar uma pessoa por causa de um segundo, ou uma palavra. Aprendi que tem gente que daria a vida pelo teatro, e outras não dariam nem o pedaço da unha. Aprendi que as pessoas acertam no desespero, e que outras erram tentando acertar. Descobri que amizade existe, e que outras só passam pela gente. Descobri que não existem inimigos, existem projeções. Descobrir que é preciso trabalhar pra ter um bom resultado, mas que as melhores coisas vêm no susto. Aprendi que abraço é a melhor coisa do mundo, mas nem todos conseguem dar. Descobri que quando você pensa em desistir vão ter vinte pessoas que não estarão nem aí, mas que apenas três vão te dar um tapa na cara e falar: “Você tá loca? Falta só mais um ano!”, e serão essas poucas pessoas que farão a diferença em sua vida. Aprendi “que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero”. Descobri que a melhor época de se tornar uma mulher ou homem é na universidade, pois suas fragilidades vão aparecer, mas é o lugar que mais vai te tornar forte para os próximos obstáculos. Descobri que a relação humana é “pauleira” e que pra enlouquecer com isso tudo, é por um triz. Aprendi que fofoca é coisa infantil e que quando feita na fase adulta vira coisa séria. Mas o principal de tudo, e talvez o primordial da aprendizagem, eu descobrir que o diálogo é tudo! E que os maiores problemas da vida aparecem por falta dele, e que pela sua falta pode separar nações inteiras, ou como no nosso caso, uma turma inteira.
Meus mais sinceros aplausos a esses atores que me fizeram aprender, e aos professores que, também, me ensinaram que aprender a viver é difícil, mas que viver é fácil. Entendam como quiserem. Obrigada!

Algumas frases de Clarice Lispector pra finalizar: “A vida é um soco no estômago.”, “O medo me leva ao perigo. E tudo que eu amo é arriscado.”, “Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.” e “Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade.”